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Docomomo [Edição 04]

Paisagem do abandono: grandes edificações modernas inativas

Maria Cristina Nascentes Cabral, Carolina Quintanilha Nevez

Resumo


No Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, capital federal até 1960, edifícios de grandes dimensões foram associados à iniciativas de caráter simbólico político. Na era Vargas, destacam-se os edifícios ministeriais: da Educação e Saúde Pública, do Trabalho, da Fazenda, e da Guerra. Durante o período de governo federal de Juscelino Kubitschek, construiu-se uma cidade inteira para a nova capital, e no governo militar foram implementadas obras de infraestrutura, para além do Distrito Federal. O sucesso da arquitetura moderna no Brasil não está circunscrito apenas à sua relação com o poder público, mas com o próprio desenvolvimento econômico e industrial, o processo de urbanização e o crescimento populacional, além de uma nova cultura arquitetônica e urbanística que é parte deste próprio processo social. Neste sentido, problematizaremos outras grandes edificações que também sintetizaram a ideia do país novo, moderno, mas que se encontram abandonadas. Este trabalho investigará quatro edificações modernas, não concluídas ou desativa- das, que estão abandonadas na paisagem urbana contemporânea, tentando compreender as causas e impactos posteriores destes abandonos. Elas serão divididas em dois grupos: o institucional, compreendendo o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ e a Escola Superior de Guerra; e o comercial, especificando o Gávea Tourist Hotel e, mais profundamente, o Panorama Balneário Hotel. A análise tem como base as críticas de Anatole Kopp, sobre a produção arquitetônica moderna durante a década de 1950, e de Arturo Escobar, sobre produção da cidade a partir da mesma década, considerando o ideal desenvolvimentista que a regia.


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