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Docomomo [Edição 04]

Entre o contraste e a analogia, o regional e o internacional: Diálogos entre ossatura independente e muro estrutural em intervenções sobre o construído, do Museu das Missões ao Museu do Pão

Carlos Fernando Silva Bahima, Jordana Cristine Winter

Resumo


Nas palavras de Francisco de Gracia, “intervir é modificar”, e essa ação modificadora vem carregada de concepções sobre a intervenção arquitetônica, baseadas em critérios relacionais estabelecidos entre a arquitetura existente, com suas significações historicamente atribuídas, e nova intervenção, com suas interpretações do material histórico. Na ar- quitetura brasileira, desde o primordial Museu das Missões de Lucio Costa (1937), passando pela Fá- brica SESC (1977) de Lina Bo Bardi, até o Museu do Pão (2005) de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci (Brasil Arquitetura), tais intervenções são tratadas de maneira interpretativa, ultrapassando a postura exclusivamente preservacionista das cartas de con- servação, focando-se nos problemas de arquitetura, ou seja, no conhecimento da lógica formal e física do edifício. A pesquisa evidencia esse modo peculiar de abordar a intervenção arquitetônica que se relaciona diretamente com os fundamentos explícitos da arquitetura moderna brasileira de base carioca: total abstração dos elementos de arquitetura e assimilação da estrutura independente. O grupo Brasil Arquitetura é tributário dessa herança, iniciada por Lucio Costa e seguida por Lina Bo Bardi. Três projetos são emblemáticos com relação ao manejo de esqueleto independente e muro estrutural face às teo- rias de intervenção: o Conjunto KKKK em Registro (1996), o Centro Cultural Tacaruna em Recife (2002) e o Museu do Pão em Ilópolis (2005). Nestes con- juntos, a pré-existência e as intervenções combinam contrastes e analogias entre a ossatura independente e muro estrutural através da ênfase na diversida- de estrutural dos elementos de composição.


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